segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Era do Robô


Se você não lê ficção científica, pergunte a seu filho como será o mundo no final do próximo século.Ele dirá que os robôs farão praticamente tudo. Haverá robô para limpar a casa e robô para buscar comida no supermercado. Já há robô, que chamamos de e-mail, para entregar cartas em todas as partes do mundo. Daqui a 100 anos, as máquinas farão tudo para nós e ninguém terá de trabalhar. Estaremos todos em férias. Há quem diga que será um horror. Já imaginou todo mundo sem nada para fazer? A maioria das pessoas já ouviu dizer que, após seis meses, todo aposentado sobe pelas paredes e implora para voltar a trabalhar. É uma grande mentira. Para quem se prepara corretamente, a aposentadoria é uma delícia. Não ter de trabalhar dia nenhum, no futuro, também será. Dura será a vida desses trabalho maníacos unidimensionais, que só pensam no batente como forma de se colocar à prova.
Com os robôs suprindo nossas necessidades, poderemos nos devotar a atividades muito mais interessantes do que o trabalho. São 72 000 livros publicados a cada ano para ser lidos. Mais de 1 milhão de sites interessantes para pesquisar, 8 000 cursos diferentes em que ingressar. Isso sem falar do edificante trabalho comunitário e voluntário que pode ocupar as 24 horas do dia. O grande problema da humanidade não será a vida sem trabalho. Será a transição da era atual para a era do robô.
Quando todo mundo trabalha não há problema. Quando todo mundo viver em férias também não haverá. A questão do mundo atual, e poucos políticos percebem isso, é que essa transição já está em curso. Os economistas sempre acalmaram os trabalhadores com o argumento de que as novas tecnologias que eliminavam alguns empregos ocupariam muito mais pessoas nas indústrias encarregadas de produzir essas tecnologias. Isso de fato aconteceu no passado. De agora em diante, robô fabricará robô. Ou seja, desempregados daqui para frente serão desempregados para sempre. Hoje, 8% do trabalho no mundo já é feito por robôs. Isso vai aumentar rapidamente. Daqui a pouco serão 25%, 30%, 50%. Em algum momento do futuro, metade da população terá trabalho. A outra metade, não. Se essa transição ocorresse em poucos dias, tudo bem. Acontece que ela deve demorar décadas.O correto, na verdade, seria os países que produzem esses robôs trabalharem cada vez menos. Nós, enquanto isso, continuaríamos condenados a dar duro oito horas por dia até chegamos ao mesmo padrão de vida deles. Dessa maneira, o equilíbrio se manteria. Não é o que está acontecendo. Os americanos, ano após ano, trabalham seis horas a mais em relação ao ano anterior. Deveriam trabalhar cada vez menos. Como não fazem isso, os robôs e as tecnologias, em vez de reduzir o trabalho americano, acabam desempregando brasileiros.Alguém pode dizer que a solução para o problema seria proibir os produtos feitos por robôs de entrar no Brasil. (Se artigos produzidos por mão-de-obra infantil no fundo desempregam adultos americanos e, por essa razão, não podem ser exportados, por que não tomamos uma atitude semelhante contra os produtos que tiram a ocupação dos adultos brasileiros?)
A solução, porém, não é essa. O problema do mundo não é econômico, é de estilo de vida. Precisamos encontrar um jeito de convencer os povos dos países desenvolvidos a relaxar, a curtir a vida. Poderíamos, por exemplo, mandar fazer uns adesivos para os carros deles com frases como "Take it easy", "Curta a vida", "Carpe diem", enfim "Relax". Povos como os americanos e os japoneses precisam aprender a trabalhar menos, a cuidar mais de suas famílias e a tirar mais férias, de preferência em praias brasileiras. Tem gente que acha o máximo tudo o que vem dos Estados Unidos, especialmente na área de administração e de negócios. Eu acho o máximo que o brasileiro ponha a família em primeiro lugar. Que o Brasil tire férias em dezembro e só retome o ritmo depois do Carnaval. Que o país inteiro pare durante a Copa do Mundo. Que toda criança brasileira saiba dançar e batucar. Estamos mil vezes mais bem preparados para a era do robô do que os anglo-saxões e os orientais.

Stephen Kanitz é administrador por Harvard.

6 comentários:

layne disse...

ai ai
to contando os dias pros robos trabalharem por mim :D

layne disse...

o ser humano sem vai ter o controle das coisas, eu não tenho medo do futuro ser dominado pelas maquinas e etc.

Eduardo Souza disse...

Realmente a tecnologia esta cada vez mais avançado acredito que isso será um grande problema para a economia, como será divido o dinheiro, de que maneira conseguimos organizar a estrutura organização do pais não é algo que pode ficar de fora. Por mais que tenha um ponto positivo, não consigo ver ele no geral.

Karina disse...

Vejo que a tecnologia esta aumentando cada vez mais, isso proporciona um comodismo cada vez maior, o que para algumas pessoas pode ser boa e outras ruins. Atualmente aplicando isso nos países pobres será uma calamidade, pois um país por exemplo como o Brasil, não consegue desenvolver tecnologias tão avançadas pode chegar a ser tão grande em nada a não ser em manipulação e política.

Jean Leal disse...

Adorei o blog, do layout aos textos!!!
Perfeito mesmo!
Abraços!

Anderson Bl disse...

Vejo que a tecnologia esta cada vez mais avançando, isso tem um ponto positivo mais não consigo ver isso na maior parte do país. Isso pode empregar a países ricos, mais uma sociedade que não conseguem estabelecer uma política coerente não vai conseguir nunca uma política robótica em que todos ficaram aposentados.